Ortopedia

Especial Mulheres na Ortopedia

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar | 18 min

Uma homenagem às profissionais da área

Há 46 anos, o dia de 8 de março foi oficializado pela ONU como o Dia Internacional das Mulheres. A data existe para exaltar toda a força, resiliência e coragem de um gênero que ainda luta por mais igualdade de direitos, lugar de fala e espaço na sociedade. Também é um momento de refletir sobre todas as conquistas e sobre o caminho que ainda há para percorrer.

Desde os primórdios da história, as mulheres estavam em posições de cuidado com a saúde, atuando como curandeiras, parteiras e chazeiras, porém, quando a formação em medicina foi instituída, foram proibidas de cursar. A primeira brasileira a se formar e exercer medicina no país foi Rita Lobato Velho Lopes, em 1887, abrindo caminhos para as que viriam.

Dados recentes da FMUSP mostram que nos últimos 20 anos, o número de mulheres na medicina mais que dobrou, passando de 104,5 mil em 2000 para 222, 9 em 2020. A diferença entre os gêneros também diminuiu, com a proporção de médicos em atuação no país em 2020 de 53,4% homens e 46,6% mulheres. Outro dado importante da pesquisa é que em faixas etárias mais jovens, até os 34 anos, a maioria hoje já é do sexo feminino.

Quando buscamos pelas especialidades, a Ortopedia está em segundo lugar quanto à disparidade de gêneros, superada apenas por Urologia. No Brasil, as mulheres representam apenas 6,5% dos profissionais.

Então, tiramos esse dia para, a partir de quatro ortopedistas, homenagear todas essas mulheres, que são minoria em uma área majoritariamente masculina.

 

Dra. Tania Szejnfeld Mann
Ortopedista especializada em Cirurgia do pé e tornozelo e Osteometabolismo. Colaboradora do Grupo Medicina e Cirurgia Pé e Tornozelo EPM/UNIFESP. Colaboradora do Grupo de Doenças Osteometabólicas EPM/UNIFESP. Doutora EPM/UNIFESP. Membro da diretoria ABTPé 2020/21. Membro da direitoria ABOOM 2020/21

Por que escolheu a ortopedia? Escolhi a ortopedia no 5° ano da faculdade, quando passei no internato. Antes disso eu ia fazer dermatologia e tinha feito toda a preparação para isso. Quando passei para o 5° ano, me apaixonei pela especialidade, por achar ela muito transversal e dinâmica.

Maior desafio da sua carreira? Certamente foram os anos da residência médica. Além de exaustivas horas de trabalho, todo o ambiente psicológico era muito pesado, tornando ainda mais difícil.

Maior orgulho na sua vida profissional? Orgulho-me muito em estar consolidada e respeitada nas instituições que eu mais respeito. Tenho vínculo acadêmico na Escola Paulista de Medicina, onde consigo reciclar conhecimento e formar médicos. Meu consultório particular já está consolidado e representa a maior parte da minha prática. Os hospitais onde concentro minha atuação são o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o Hospital Israelita Albert Einstein.

Maior orgulho na sua vida pessoal? A família que eu formei e os amigos que eu cultivo. Construí um casamento feliz, temos três filhos lindos, os amores da minha vida. Também sinto muito carinho, respeito e reconhecimento no meu ciclo de amigos e colegas.

Ser mulher é… O catalizador das relações familiares, pessoais e profissionais. Hoje vejo a mulher como a protagonista dos muitos cenários onde ela se insere, em que ela consegue agregar, congregar e liderar.

 

Dra. Melanie M. Horita
Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, completando o Ensino Superior em 2016. Realizou residência médica em ortopedia e traumatologia pelo Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo entre os anos de 2017 e 2020. Obteve o título de especialista em março de 2020. Atualmente, é aperfeiçoanda em Trauma do Esporte na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Por que escolheu a ortopedia? Quando entrei na faculdade, para ser sincera, eu não conseguia nem olhar para osso. Íamos na enfermaria da ortopedia para trocar curativo e eu não gostava, dizia que jamais iria me especializar em ortopedia. Mas eu sempre gostei muito de esporte, sempre tive vontade de trabalhar com atletas. Ao longo da faculdade, tivemos aulas de ortopedia, e eu comecei a me envolver mais e a gostar. Comecei a considerar, justamente, para trabalhar na área de esporte. Acho que a ortopedia é uma especialidade muito diferente de tudo que temos na faculdade. É prática, objetiva e tem a parte de poder trabalhar com esporte, com atleta, que é uma grande vontade minha.

Maior desafio da sua carreira? Até o momento foi a prova de título de ortopedista. Realmente foi uma prova muito difícil, muito estressante, do preparo até o momento da prova, que acontece em 3 dias e temos de ir para outra cidade. Tem prova teste, oral e prática, foi muito desafiador. Ter recebido o resultado positivo foi uma felicidade, uma grande conquista.

Maior orgulho na sua vida profissional? A forma como eu tento atender os pacientes. É claro que não é sempre que a gente consegue ter esse cuidado, mas tento sempre ter um carinho, tratar de igual pra igual, conversar, ouvir o que o paciente tem para dizer. Eu vejo isso muito na ortopedia: o quanto ouvir o paciente faz diferença no tratamento. Como explicar para o paciente exatamente o pode ser a causa, como é o tratamento e porquê. Faz muita diferença em qualquer especialidade, mas na ortopedia, que é muito prática, tomar esse tempo a mais é muito importante. Tenho muito orgulho em ter esse cuidado.

Maior orgulho na sua vida pessoal? Conseguir, mesmo com a rotina puxada, manter laços fortes de amizade e com a família, que eu valorizo muito. Também tenho orgulho de conseguir atualmente aprender muito sobre mim mesma e sobre o mundo. E como posso impactar de forma positiva o mundo a minha volta, tanto pessoas mais próximas quanto bem distantes. Isso tem sido algo muito bom na minha vida pessoal.

Ser mulher é… Tão maravilhoso quanto cansativo e desgastante. Acho que nossa sociedade ainda tem muito o que avançar em termos de igualdade de gênero. Já crescemos muito, mas ainda temos muito a crescer. Ser mulher ainda é bastante difícil. Mas fico muito feliz de ver que, na ortopedia, a gente tem sido cada vez mais representada. Apesar de sermos ainda apenas 6%, vejo que cada vez mais mulheres têm optado pela ortopedia. Vejo também que mulheres na especialidade têm se unido para falar sobre essa representatividade e para crescer juntas. E acho esse coletivo muito importante.

 

Dra. Giovanna Bertucci Moreira
Médica Ortopedista formada Universidade José do Rosário Vellano, UNIFENAS. Possui Especialização em Ortopedia Pediátrica e Especialização Neuromuscular pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Por que escolheu a ortopedia? Eu quis ser várias coisas antes de ser médica. Quando escolhi a profissão, rapidamente decidi ser ortopedista. Eu tive uma irmã com paralisia cerebral e passei a vida a vendo ir em vários médicos. E um deles era o ortopedista. E eu sempre achei muito mágica essa resolutividade que a ortopedia traz.
Maior desafio da sua carreira? Fazer residência médica com bebê. Sou mãe solteira e quando meu filho tinha meses eu passei na residência na Santa Casa. É muito puxada, com carga horária muito grande. Tive muito apoio da minha família e consegui. Acho que, até hoje, foi um dos maiores desafios da minha carreira: ser mãe solteira e residente. Graças a Deus deu tudo certo.

Maior orgulho na sua vida profissional? Orgulho-me muitos dos meus pacientes. A ortopedia é uma especialidade resolutiva demais: existe um diagnóstico e existe uma conduta na maioria dos casos. Tem alguns pacientes meus que são para a vida inteira, por terem algumas doenças de base que precisam de mais cuidado, além da resolução que a ortopedia dá. São pacientes muito próximos e que tenho muito cuidado. Geralmente, são neuropatas. Tenho orgulho disso, do tipo de paciente que consegui me especializar para atender. Geralmente não são os tipos de pacientes que os especialistas gostam, pois fogem de toda a resolutividade que a ortopedia traz. Eles precisam de muito cuidado e de uma atenção diferente.

Maior orgulho na sua vida pessoal? Conseguir levar as duas coisas ao mesmo tempo: minha família e minha vida profissional. Às vezes é um pouco tumultuado. Mas eu consigo dar atenção às minhas crianças e à outras crianças de forma equilibrada e isso me orgulha muito. Óbvio com muita ajuda do meu marido, da minha família e da minha mãe, que me ajuda muito. Eu tenho muito orgulho desse equilíbrio.

Ser mulher é… Ter esse equilíbrio. Acho que a maioria das mulheres podem e devem se orgulhar dessa dupla jornada, porque não é fácil. Trabalhar, chegar em casa, ter filho e ter uma casa para cuidar. Pelo menos as mulheres do meu convívio são mestras em fazer isso. Então eu acho que ser mulher é isso, é conseguir lidar com as situações de cabeça fresca, com racionalidade e conseguir organizar tudo. A mulher tem esse dom que homens não têm, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, e fazê-las bem.

 

Dra. Dulce Egydio de Carvalho Vianna
Ortopedista pediátrica e neuromuscular. Formada na FCMSCSP, atualmente médica assistente da AACD.

Por que escolheu a ortopedia? Acho que sempre esteve no meu sangue. Meu pai é ortopedista, Dr. Antônio Egydio de Carvalho Junior, especialista em pé, formado na Unicamp e fez todo o restante da sua carreira no Hospital das Clínicas na USP. Foi minha grande inspiração, sempre passei em visitas nos hospitais com ele, desde pequenininha. Sabia dos casos, gessos e pezinhos tortos. Achava incrível como era possível corrigir as deformidades e auxiliar a vida das pessoas e das crianças. Então acho que a ortopedia sempre foi uma paixão, desde pequenininha.

Maior desafio da sua carreira? Acho que foi decidir deixar a Santa Casa de São Paulo, que era minha referência desde a faculdade, onde fiz a residência e especialização, para ingressar na AACD. Mas, infelizmente, era impossível conciliar os dois serviços. E na AACD eu exerço minha especialidade, minha paixão, que é tratar pessoas com deficiências físicas, principalmente crianças com necessidades especiais. Lá é um centro de excelência multidisciplinar. Mas eu acredito que no dia a dia da mulher médica, o maior desafio seja conciliar a carreira com família e filhos.

Maior orgulho na sua vida profissional? O que mais me orgulho na minha vida profissional é proporcionar maior qualidade de vida aos meus pacientes e familiares. Permitir que uma criança se recupere da dor, do sofrimento, daquela deformidade, e possa se sentar, andar, frequentar escola, enfim, uma mudança significativa na vida dessas crianças. E a recompensa é o sorriso, a gratidão e o carinho deles comigo.

Maior orgulho na sua vida pessoal? É a família linda, querida e unida que eu construí ao lado do meu marido Rodrigo. Ele é um headhunter e exerce um trabalho incrível de recrutamento inclusivo. Nosso filho, Fernando, é nossa maior alegria, um menino feliz, de quase 7 anos, amoroso, saudável, atleta e preocupado, principalmente com o outro, com a sociedade e com o mundo.

Ser mulher é… Uma dádiva. Somos seres complexos, realmente, mas somos muito sensíveis e extremamente fortes e resistentes. Nós somos produtivas e temos a habilidade de realizar muitas tarefas simultaneamente. Acho que é uma grande vantagem em todos os sentidos, principalmente no mercado de trabalho. E nunca podemos perder de vista que somos responsáveis por conceber, nutrir e educar as futuras gerações, para as mulheres que optarem pela maternidade.

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