Saúde & Bem Estar

Dependência Química – Como lidar?

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

Psiquiatra lista os principais sinais do uso excessivo de químicos e apresenta recomendações para o tratamento.

Lidar com a dependência química é um dos principais desafios da nossa sociedade. Um levantamento feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), constatou que cerca de 35 milhões de pessoas no mundo precisam de tratamento para ela.

Dessa forma, o primeiro passo para entender o problema é compreender a situação de maneira profunda. Essa condição consiste no abuso de drogas ilícitas como maconha, crack, heroína, cocaína, entre outras e lícitas, como a nicotina e o álcool que são consumidas livremente.

Por isso, pensando em abordar essa temática da dependência química, o Dr. João Maurício, psiquiatra, traz algumas informações importantes para ajudar a identificar se uma pessoa próxima a você está doente e como agir para ampará-lo. Continue a leitura!

Como identificar quando alguém está se tornando um dependente químico?

Identificar um caso de dependência química não é tarefa fácil — visto que não é algo que ocorre de um dia para o outro. O processo, muitas vezes, é demorado e de evolução progressiva. Então, necessita de atenção constante para detectar os sinais.

Com o passar do tempo e da progressão da dependência, os sintomas tornam-se mais fortes. Nesse estágio o consumo se intensifica e é possível perceber inúmeras alterações naquele indivíduo.

De acordo com o Dr. João Maurício, existem alguns sinais que familiares e amigos devem estar atentos. São eles:

  • uso quantidades progressivamente maiores da droga para obter o mesmo efeito;
  • sintomas de abstinência quando para ou diminui o uso da droga
  • dificuldade de parar ou diminuir o uso;
  • o indivíduo utiliza maiores quantidades do que o planejado;
  • a pessoa usa a droga mesmo possuindo doenças causadas ou exacerbadas pela mesma;
  • um grande tempo gasto buscando a droga, durante o uso, ou se recuperando do uso;
  • episódios de desejo intenso para fazer uso da substância — que vem sem motivo aparente;
  • recorrentes falhas na vida do indivíduo — ele terá dificuldade em cumprir compromissos profissionais, pessoais e familiares, por exemplo.

Quando uma pessoa é dependente química ela vai desenvolver sinais, podendo ser um conjunto destes citados ou apenas alguns (pelo menos três).

“Existem parâmetros que devem ser avaliados por um profissional da saúde para que o diagnóstico seja feito de forma satisfatória para então iniciar o melhor curso de tratamento”, afirma o psiquiatra João Maurício.

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Qual o papel da família nesse processo?

A família tem um papel fundamental na vida dos dependentes químicos. A convivência familiar ajuda a identificar sinais do abuso de substâncias. Por esse motivo, é necessário que o núcleo daquela casa fique atento às mudanças de comportamento.

Se perceber algum sinal que deixe um alerta vermelho é importante não se afastar da pessoa em questão, uma atitude como essa poderá piorar o quadro do dependente. A seguir, o Dr. João Maurício, define duas fases importantes nesse processo.

  • Identificação: que é quando a família e amigos conseguem perceber os sinais da dependência química, mesmo quando o próprio usuário ainda não se reconhece nesse papel.
  • Tratamento: após reconhecer que precisa de ajuda com a doença, o indivíduo se submete ao tratamento específico para a sua condição. Além disso, é necessário pontuar que é possível fazer a internação compulsória (involuntária) apenas em casos extremos.

Nesse contexto, a família tem um papel fundamental no incentivo ao tratamento. Ela será o suporte para aquela pessoa. O processo que o dependente irá passar é delicado e ele precisará de todo o apoio familiar e orientação médica.

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Como evitar recaídas?

De acordo com o Dr. João Maurício, após as duas fases que foram citadas anteriormente existe uma terceira: prevenção de recaída. Assim, essa é uma das fases mais delicadas que o indivíduo passa e ela não acaba em um curto período de tempo.

As recaídas podem acontecer em vários estágios do tratamento e da vida do dependente. Sendo mais delicada no início, em que a abstinência é desafiadora. A prevenção contra essa situação gira, principalmente, em torno de evitar situações de risco.

“Um dos primeiros passos que fazemos nas conversas com os dependentes é mapear em quais situações a pessoa costumava fazer uso da substância. A partir disso é indicado, principalmente no início da abstinência, que a pessoa fique longe de toda e qualquer circunstância que estimule o consumo de drogas”, explica o Dr. João Maurício.

Mas ao longo do tempo a pessoa irá, em algum momento, estar na presença de situações de risco. Um aniversário, uma festa com amigos ou um encontro com uma turma que faz uso da substância, por exemplo.

Esses momentos representam um grande risco para o indivíduo. Por isso, é necessário que exista um trabalho específico para que a pessoa consiga ultrapassar uma situação de alto risco sem ter uma recaída.

Como lidar com as crises de abstinência?

Esse é o momento crucial na recuperação do indivíduo. Afinal, é um estágio delicado e, muitas vezes, o dependente corre risco de vida. Cada droga tem uma síndrome de abstinência específica, com sinais e sintomas diferentes muitas vezes.

As crises de abstinência devem ser tratadas como uma questão médica que merece o tratamento de saúde adequado — tendo em vista que, abstinência de álcool, opióides e até tranquilizantes podem pôr em risco a vida da pessoa.

No entanto, grande parte dos usuários que passam por esse estágio enfrentam efeitos leves a moderados. Assim, é necessário pontuar que esse pode ser o momento decisivo entre o tratamento e a recaída.

Esse período deve acontecer, de preferência, dentro de um hospital ou lugar com assistência médica. Existem medicamentos específicos para cada abstinência que podem auxiliar o usuário a passar por essa situação de forma segura.

“Sem o suporte adequado, as chances de recaída já nas primeiras horas, dias ou semanas são muito fortes. Este é, talvez, o momento mais “médico” do tratamento”, destaca o psiquiatra. Em outras palavras, os processos neuroquímicos do cérebro no estado de abstinência superam os processos psíquicos, e o paciente necessita de uma ajuda medicamentosa para lidar com tal situação.

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O que fazer quando a pessoa não aceita essa ajuda?

Existem alguns passos que devem ser seguidos para que você possa ter êxito nessa missão que é auxiliar um dependente químico na busca por um tratamento. São eles:

  • oferecer ajuda;
  • buscar um grupo de apoio para familiares de pessoas dependentes;
  • tentar manter o individuo dentro da dinâmica familiar de tarefas e atividades;
  • mostrar que o indivíduo está disfuncional;
  • buscar internamento involuntário — quando houver a necessidade (sintomas psicóticos, ideação suicida, agressividade);
  • procurar um profissional de saúde para orientação;

A pessoa que apresenta uma dependência química fica progressivamente submissa àquele uso contínuo e cada vez em maiores quantidades. É necessário estar atento aos sinais citados ao longo do texto, para uma identificação precoce da dependência. Isso gera melhores resultados no tratamento.

Quer saber mais?
Veja também o nosso episódio do Plantão SO.U + Bem Estar sobre o assunto: Plantão #12 | Dependência Química

*Dr. João Maurício Castaldelli Maia é Professor Auxiliar de Psiquiatria da FMABC/ Orientador de Mestrado e Doutorado  em Psiquiatria na FMUSP

Sobre o autor

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