Saúde & Bem Estar

As mudanças na vida sexual durante e após a menopausa

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

A fisioterapeuta Débora Pádua traz informações sobre a menopausa e os seus efeitos no corpo da mulher

A vida das mulheres é marcada por uma série de passagens envolvendo a menstruação, sendo iniciada pela menarca indo até a finalização da mesma. Esse período em que a mulher para de sangrar e estar, oficialmente, infértil é chamada de menopausa e é motivo de grande dúvidas, principalmente sobre a vida sexual.

Essas mudanças hormonais ocorrem, normalmente, pelo envelhecimento natural, salvo alguns casos específicos. Dessa forma, uma grande modificação no corpo acarreta alguns efeitos — e eles podem ser relacionados às relações sexuais.

Inclusive, esse tema, muitas vezes, é erroneamente associado a extinção do sexo na vida da mulher que está na menopausa. Mas a verdade é que você não precisa suspender nenhuma atividade. Esse ato, de fato, é benéfico.

Para desmistificar algumas temáticas, a fisioterapeuta pélvica Débora Pádua* esclarece algumas questões mais frequentes envolvendo a menopausa e o sexo. Confira a seguir:

Como saber se já estou passando pela menopausa?

O primeiro ponto a ser citado é que a menopausa pode acontecer por volta de 45 à 55 anos — sendo a idade mais comum por volta dos 50 anos. Mas como identificar se você está passando por essa fase? A seguir, confira alguns sintomas habituais que podem te ajudar a reconhecer.

1.    Irregularidades na menstruação

Essa identificação pode ser feita a partir da observação da quantidade de fluxo expelido e das falhas da menstruação. Por exemplo, passar dois meses sem ter o período e após isso seu ciclo iniciar novamente.

2.    Sensação de calor

Esse sintoma é um dos mais relatados. Ele provoca ondas de calor, cansaço, sudorese, vertigem e até existem relatos a respeito de palpitações no coração.

3.    Ressecamento vaginal, dor na penetração e falta de libido

Esses 3 sintomas estão relacionados entre si. Com a menopausa existem algumas mudanças hormonais significativas que alteram determinados aspectos do corpo feminino.

4.    Mudanças de comportamento

Como citado anteriormente, esse período é marcado por uma grande mudança no corpo feminino. Dessa forma, os sintomas psíquicos também podem ser identificados. É possível que a mulher apresente uma irritabilidade mais acentuada, instabilidade emocional, ansiedade, insônia, entre outros.

5.    Alterações na pele, cabelos e unhas

É possível que alguns indivíduos apresentem um enfraquecimento dos cabelos e unhas, além de ter modificações na pele.

6.    Concentração de gordura e perda de massa óssea

A gordura torna-se menos distribuída, acumulando, principalmente, na região do abdômen. Dessa forma, as doenças ligadas ao coração também fazem parte dos riscos após a menopausa. Os ossos também ficam mais enfraquecidos por conta da possibilidade de perda de massa.

Esses são alguns sintomas que podem dar sinais de que você entrou no processo de menopausa. No entanto, é necessário ressaltar que muitas podem não manifestar os indícios listados.

Sendo assim, existem indivíduos que podem passar por essa fase sem apresentar nenhum sintoma, mas essa parcela não representa a maior parte dos casos de menopausa.

Veja também: Plantão #9 | Vaginismo

É normal sentir dor na relação sexual após a menopausa?

“É comum, mas não é necessário”, comenta Débora Pádua. As principais causas do desconforto e da dor durante a relação estão associadas com a diminuição da produção de hormônios específicos.

 

A perda da elasticidade e da lubrificação são um dos principais causadores desse incômodo na vagina. “Os ovários acabam produzindo alguns hormônios como progesterona e estrogênio, esse último sendo o que a mulher mais necessita para que tenha um funcionamento normal do corpo. Sendo assim, ele é o responsável pela excitação e o desejo da mulher”, explica a especialista.

 

Na menopausa, os ovários vão diminuindo a produção até que atinjam a completa perda da funcionalidade. Dessa forma, se existe uma queda ou a falta desses hormônios, a lubrificação vaginal será afetada.

 

A diminuição do estrogênio também pode provocar a diminuição da elasticidade na vagina. “Nesse período a mucosa da vagina fica mais fina e, além da perda de lubrificação, ela também perde a elasticidade fazendo com que a relação sexual fique mais dolorida. O que pode acabar causando fissuras na região”, destaca a fisioterapeuta.

Veja também: Endometriose: o que você precisa saber sobre a doença

Como posso continuar com o meu desejo sexual?

O início do processo sexual da mulher se dá em vários aspectos. Ela alinha o seu desejo com os estímulos do parceiro e esse desejo está ligado, muitas vezes, à vida cotidiana. “Muitas mulheres têm desejo, outras nem tanto, mas uma grande parte precisa de mais estímulos para atingir a mesma excitação de antes da menopausa”, contextualiza.

 

Além disso, é sim possível sentir prazer durante esse período. O que acontece é que, nessa fase, muitas mulheres acabam sentindo algum desconforto ou até dor durante a relação sexual. Conforme citado anteriormente, essa situação pode ser causada por ressecamento vaginal, perda da elasticidade, entre outros.

 

Por isso, é importante buscar um especialista logo no início do surgimento dos primeiros sinais de incômodo na relação sexual. O médico irá avaliar as causas da sua dor e indicar a melhor saída. “Algumas indicações podem funcionar como lubrificantes, cremes com hormônios e hidratantes vaginais”, diz Débora Pádua.

Veja também: Congelamento de óvulos: 5 coisas que você precisa saber

Existem opções de tratamento?

Com os avanços da medicina moderna, atualmente, é possível driblar algumas reações adversas presentes em um período tão delicado para a mulher. A fisioterapeuta pélvica indica os principais tratamentos utilizados para amenizar os sintomas e melhorar a vida sexual da paciente durante e após a menopausa:

  • reposições hormonais diversas;
  • fisioterapia pélvica;

“Hoje a reposição hormonal é mais utilizada, mas quando esse tratamento não promove o efeito esperado podemos buscar outros aliados como tratamentos como fisioterapia pélvica e o laser”, finaliza a especialista.

Sendo assim, é possível fazer um combinado de ações e indicações médicas para amenizar os sintomas e as mudanças causadas pela menopausa. Ou seja, a mulher não precisa mais sofrer uma forte onda de sintomas durante e após a menopausa, tampouco abdicar totalmente da sua vida sexual.

*Débora Pádua é Fisioterapeuta Pélvica especializada no tratamento de disfunções sexuais. A Clínica Débora Pádua é a primeira clínica no Brasil Especializada no Tratamento de Vaginismo,
Dispareunia e Vulvodínia com a sua matriz localizada em São Paulo, filial em Campinas e atendimento online | www.vaginismo.com.br | 11 3253-6319 | Rua Borges Lagoa 913, 10º Andar – Sala 101 Vila Clementino – São Paulo, SP | atendimento@clinicadeborapadua.com

Sobre o autor

Portal de Notícias sobre esporte, saúde, e bem-estar. Uma fonte de Informações a partir de pesquisas científicas nas áreas de ortopedia, medicina esportiva, fisioterapia e tratamentos coadjuvantes.

Dúvidas e Comentários

Espaço para que você possa deixar suas dúvidas e comentários, que serão respondidas pelos nossos Especialistas.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Artroscopia de Quadril: entenda o que a técnica cirúrgica pode tratar

Neste artigo, o Dr. Leandro Ejnisman, especialista em ortopedia e traumatologia, esclarece as principais dúvidas a respeito desse método inovador

Leia mais

Os benefícios da prática de natação pós Covid-19

A Dra. Giovanna Sperandio discorre a respeito desse assunto

Leia mais

Maio Amarelo: prevenção é a palavra-chave

Os médicos ortopedistas Dr. Pedro Baches Jorge e Dr. Bruno Takasaki Lee falam a respeito da prevenção de lesões causadas por má-postura ao volante

Leia mais