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Doença de Crohn: Cuidados necessários!

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

Responsável por causar obstruções intestinais, fístulas e úlceras, a doença de Crohn é uma enfermidade que pode trazer muitas complicações para o público afetado por ela.

Muitas vezes confundida com a retocolite ulcerativa — doença que atua de forma superficial nas paredes do intestino — a doença de Crohn se diferencia por atuar em todo o trato intestinal, com lesões profundas que afetam todas as camadas dos tecidos.

Neste artigo, você conhecerá os principais sintomas da doença de Crohn, as causas, os caminhos para o diagnóstico, os tratamentos e os cuidados necessários contra a síndrome, que atinge principalmente pessoas mais jovens. Acompanhe a leitura!

O que é a doença de Crohn?

A doença de Crohn é uma síndrome inflamatória crônica que afeta o sistema digestivo, atacando o íleo terminal (parte inferior do intestino delgado) e o cólon. A doença tem como principal sintoma as dores abdominais, normalmente acompanhada de diarreia, febre, perda de peso e enfraquecimento por causa da dificuldade para absorver os nutrientes.

De acordo com o Dr. Henrique Perobelli*, ela “é um espectro das doenças inflamatórias intestinais. Ela é uma Doença Imuno-mediaca poligenica. Quer dizer que ela se comporta como uma doença autoimune e é uma autoagressão das células de defesa do nosso organismo para os colonócitos ou para os enterócitos ou para as células do nosso trato digestivo. Essa inflamação pode causar uma série de sintomas clínicos e repercussões na vida do paciente”.

A doença é considerada autoimune porque o próprio sistema imunológico do corpo ataca as células saudáveis, causando um processo inflamatório invasivo que compromete todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa.

Quais as causas da doença de Crohn?

A doença de Crohn não tem uma causa específica, contudo, fatores genéticos, ambientais, dietéticos ou infecciosos podem estar envolvidos no surgimento da doença.

“Não existe uma causa específica, nem uma infecção bacteriana, é uma doença imunogênica e imuno mediada. É como se fosse um processo de autoinflamação. O processo de autoinflamação pode causar uma série de complicações no organismo, como dor abdominal, perda de peso, emagrecimento e sintomas mais graves como sangramento intestinal, fístulas entéricas, fístulas enterocutâneas, fístulas que são uma comunicação inflamatória do intestino para outros órgãos e estenose, que é a formação de diminuição da luz intestinal, causando estreitamentos intestinais e a partir daí quadro de suboclusão intestinal”, explica o Dr.Perobelli.

A doença de Crohn têm a mesma chance de incidência entre homens e mulher, tornando-se ainda mais provável em jovens abaixo dos 30 anos, sendo muito comum que a doença seja identificada na faixa-etária dos 20 anos.

“Com relação à prevenção, pouco se sabe sobre isso, mas pessoas que foram pouco expostas a vacinas e doenças virais na infância, assim como desnutrição e alguns medicamentos de uso crônico, podem levar ao aumento do risco do desenvolvimento futuro de doença de Crohn. Mas o que está mais relacionado é o fator genético e hereditário na família que tem histórico de doença inflamatória tem um risco elevado de desenvolvimento da doença de Crohn”, complementa o Dr. Perobelli.

Quais os sintomas mais comuns da doença?

A doença de Crohn traz alguns sintomas específicos, como:

  • Dores abdominais;
  • Diarreia;
  • Febre;
  • Perda de peso;
  • Enfraquecimento por causa da dificuldade para absorver os nutrientes.

Doença de Crohn: Cuidados necessários!

Dependendo do grau da doença, além desses sintomas também é possível que a pessoa manifeste alguns sintomas mais graves. Por exemplo, existem casos em que a doença de Crohn causa nódulos dolorosos e avermelhados sob a pele da pessoa acometida, sendo também possível o surgimento de pedra nos rins ou na vesícula.

Outros sintomas mais graves da doença de Crohn são as dores articulares, aftas e inflamação nos olhos. Em situações nas quais a doença se encontra em estágio ainda mais agressivo, o paciente pode apresentar fissuras e fístulas, responsáveis por perfurações no intestino que drenam a região perineal.

Em crianças e adolescentes, a doença de Crohn pode retardar o desenvolvimento do crescimento, que é afetado diretamente pela falta de absorção correta dos nutrientes.

Como diagnosticar a doença de Crohn?

O primeiro passo para identificação da doença de Crohn depende da percepção da própria pessoa. Por isso, é importante estar atento aos sinais e sintomas apresentados pelo corpo, principalmente para evitar que eles — dores abdominais, diarreia, febre — sejam confundidos com uma virose comum.

Uma vez que os sintomas forem sentidos, é importante buscar um médico de confiança que analise o caso e realize os exames necessários para diagnosticar se o paciente está ou não com a doença de Crohn.

Para chegar a um diagnóstico, é possível contar com o suporte de dois tipos de exames:

  • Radiologia: exames de raio-x do trânsito intestinal, ultrassom, tomografia e ressonância.
  • Endoscopia: colonoscopia, endoscopia, cápsula endoscópica, endoscopia alta e biópsia de um fragmento do intestino

Além dos exames de imagem, o profissional fará o exame clínico e levantamento do histórico do paciente, levando em conta principalmente as possibilidades genéticas para o aparecimento da doença de Crohn. Os exames de sangue podem ser mais um dos recursos utilizados para chegar ao diagnóstico.

“O tratamento da doença de Crohn passa por uma série de etapas, a depender da gravidade da doença inflamatória. O uso de corticoide é necessário, passando por imunossupressores e chegando hoje na era dos imunobiológicos, que são medicamentos que inibem o processo inflamatório do organismo. Diminuindo o processo de inflamação crônica e também o processo de estenose, sangramento, etc”, aponta o Dr. Henrique Perobelli.

Vale destacar que a remissão é uma das características da doença de Crohn. Muitas vezes, os pacientes acabam relaxando ao notar os primeiros resultados do tratamento e com isso deixam a medicação e as orientações do médico de lado. Por isso, é importante seguir o tratamento à risca, evitando que a doença retorne com mais força.

Quais os cuidados para quem tem doença de Crohn?

A doença de Crohn não tem cura, mas com os cuidados certos e realizando o tratamento corretamente, é possível viver de maneira tranquila.

De acordo com o Dr. Perobelli, o cuidado com a alimentação é um dos principais requisitos para quem enfrenta problemas com a doença de Crohn. “A d

ieta, principalmente de origem orgânica e saudável, é a principal recomendação para os pacientes que têm doença de Crohn. Alimentos processados, ultraprocessados, alimentações inorgânicas, fast-food, carnes e proteínas de origem animal não são recomendadas para esse tipo de pacientes”, explica.

Por isso, dietas orgânicas — baseadas em legumes, verduras, saladas, proteínas de origem vegetal e proteínas de carnes brancas — são ideais para o consumo, assim como para a maioria das pessoas que deseja ter uma alimentação saudável.

Algumas outras atitudes que também ajudam a prevenir as crises, são:

  • Praticar atividades físicas;
  • Evite se basear por dietas ou dicas de tratamentos encontradas na internet;
  • Controle o peso;
  • Identifique alimentos que não fazem bem e evite a ingestão deles;
  • Evite situações de estresse ou fortes abalos emocionais;
  • Siga as orientações de profissionais especializados (nutricionistas, médicos, etc).

Como dito anteriormente, a doença de Crohn faz com que os pacientes passem por tempos de remissão e também de crises severas. Por isso, é importante encontrar um equilíbrio e ter como principal meta o cultivo de hábitos saudáveis.

Esta mentalidade faz com que a pessoa não recorra a tratamentos apenas nos momentos de dor extrema, mas busque diariamente ter uma rotina que proporcione o bem-estar e evite passar por situações dolorosas.

*Dr. Henrique Perobelli é Médico Cirurgião do Aparelho Digestivo e Coloproctologista. Especialista pela SBCP, Mestre em Cirurgia e Professor do Departamento de Cirurgia na UNISA.

 

Veja também: Dieta anti-inflamatória: o que é, para que serve e quando fazer?

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