Ortopedia

Sensação de ombro congelado? Saiba mais sobre a capsulite adesiva

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar | 7 min

Condição atinge principalmente mulheres e limita movimentos da articulação

Articulação mais flexível do corpo humano, o ombro exerce papel fundamental em atividades cotidianas, como carregar objetos, mover os braços, nadar, entre outras. Permitindo movimentação de quase 360°, é uma entre tantas outras partes que devemos nos manter atentos para garantir uma boa qualidade de vida. E, assim como tantas outras, por vezes podemos sentir algum desconforto ou dores no local. E, até mesmo, que a articulação esteja “congelada”. “A dor e a progressiva limitação dos movimentos do ombro caracterizam a capsulite adesiva, ou ombro congelado, como era conhecida antigamente”, diz o Dr. João Polydoro, especialista em Ombro e Cotovelo da Clínica SO.U.

O médico ainda explica que a doença ocorre quando há inflamação da cápsula articular do ombro, uma estrutura a base de colágeno, elástica e flexível, que reveste a articulação, ajudando na estabilidade e função do ombro. “Quando inflama, ela se torna mais espessa com tecido fibroso perdendo sua elasticidade”, complementa.

A condição é mais comum em mulheres, principalmente após a menopausa, e no ombro não dominante, ou seja, se for uma pessoa destra, é mais provável que ocorra do lado esquerdo. “O motivo do seu aparecimento ainda não tem uma causa definida, podendo estar relacionada à alguma lesão, cirurgias anteriores do ombro ou mesmo a doenças como diabetes e doenças da tireoide”, afirma Dr. João.

Os principais sintomas da capsulite adesiva são dores, redução na amplitude do movimento do ombro e rigidez nas articulações, sendo, por isso, conhecida como ombro congelado. O ortopedista ressalta que para o diagnóstico correto é preciso buscar um especialista. “A condição é diagnosticada por meio da história clínica do paciente, do exame físico e de exames de imagem. É importante a avaliação de um especialista de ombro, pois o generalista pode confundir o diagnóstico com bursite retardando o tratamento”.

A doença por permanecer por 6 meses a 2 anos, tendo três fases:

  • Inflamatória: ocorre no início e é caracterizada por dor e gradual limitação dos movimentos;
  • Restritiva ou de “congelamento”: há maior limitação dos movimentos, com perda quase total da rotação;
  • “Descongelamento”: momento de restauração lenta e gradual dos movimentos do ombro.

“O tratamento é definido conforme o estágio em que se encontra a doença. A fase inicial requer o controle da dor. Nas fases mais avançadas, a recuperação do movimento torna-se o principal objetivo”, explica o médico. Algumas formas de tratamento são bloqueios seriados do nervo supraescapular, injeções de anestésico, fisioterapia, hidroterapia, medicamentos e, até mesmo, uma melhora espontânea. “Se o tratamento conservador não der resultado satisfatório, pode-se realizar cirurgia por artroscopia para ganho da amplitude de movimento. Isso dependerá de cada caso, do estágio da doença, da gravidade e das opções técnicas do cirurgião”, conclui o ortopedista.

Infelizmente, não há forma de prevenir a capsulite adesiva. Então, é importante manter-se atento à articulação e buscar um especialista para iniciar a recuperação o mais cedo possível.

 

* Dr. João Polydoro é especialista em Ombro e Cotovelo. Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente é ortopedista vinculado a sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC) e da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma do Esporte (SBRATE), formado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo no Departamento de Ortopedia e Traumatologia Pavilhão Fernandinho Simonsen onde é membro do Grupo de Trauma do Esporte. Atua em diversos hospitais entre eles a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Cirurgião de Ombro e Cotovelo do núcleo avançado de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Hospital Sírio Libanês e como Cirurgião de Ombro e Cotovelo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz onde também atende na retaguarda do Hospital.

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