Alimentação & Nutrição

Compulsão alimentar pode mascarar um transtorno cerebral mais grave

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

Indivíduos que sofrem de compulsão alimentar podem comer rapidamente, mesmo quando não estão com fome, e muitas vezes escolhem alimentos pouco saudáveis.

A compulsão alimentar é um distúrbio caracterizado pela ingestão excessiva e descontrolada de alimentos em um curto período. Tem muita gente que quando vai fazer a refeição não consegue se controlar e acaba comendo mais do que gostaria, mas se esse descontrole se tornar frequente pode ser um sinal de doença. O comer compulsivamente, além de um evidente descontrole impulsivo do comportamento alimentar, não mexe apenas com a silhueta, mas com a saúde geral, já que pode levar a problemas cardíacos e metabólicos, como a diabetes e a hipertensão, que colocam a vida em risco.

Segundo a médica psiquiatra Dra. Naiayde Monte, especialista em Transtornos de Humor pela USP, a compulsão alimentar pode ser um problema ainda mais grave, principalmente quando a avaliação médica do quadro fica restrita apenas ao problema do comer compulsivo quando na verdade essa pessoa pode estar tendo descontrole da impulsividade em várias outras áreas da vida que não estão ganhando a atenção e podem fazer parte de um único problema que desregula o humor e os impulsos: o transtorno bipolar. “O descontrole ocorre em áreas do cérebro que são responsáveis por cada um dos nossos atos e, como potencializam o impulso por comida, enfraquecem os centros da saciedade e faz a pessoa comer descontroladamente”, conta.

compulsão alimentar

©Doucefleur via Canva.com

A psiquiatra fala que a pessoa pode comer uma quantidade grande alimentos, de forma muito rápida, com uma sensação posterior de culpa, por ter não conseguido ter autocontrole sobre aquele ato, podendo gerar muita angústia e sofrimento na pessoa. “Quando esse aumento da impulsividade vem acompanhado de outros sintomas, como alterações do humor, da energia e do pensamento e quando ocorre de forma cíclica, em fases ou períodos, é hora de ligar o sinal de alerta para bipolaridade” diz.

A médica ainda explica que, nesses casos, o tratamento é diferenciado, porque estamos lidando com uma patologia de mecanismo complexo e que requer atenção, em busca de uma melhora global do paciente, não apenas da compulsão.

“Uma simples compulsão alimentar pode não ser tão simples assim e deve ser tratada com cuidado, visando não somente a melhora do sintoma, mas também de todas as suas consequências, desde baixa autoestima, isolamento social e sentimentos negativos em relação a si mesmo, até distúrbios metabólicos que poderão exigir tratamento num futuro próximo ”, finaliza Dra. Naiayde.

FONTE: Dra. Naiayde Monte | Especialista em Transtornos do Humor, membro do PROMAN (Programa de Transtorno Bipolar da USP) e da Comissão Científica da ABRATA. Fundadora, coordenadora e preceptora do Ambulatório de Transtorno Bipolar da residência médica em psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (UNISA/SP). | @dra.naiayde

 

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