Escoliose

Escoliose: o que é, sinais e como tratar?

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

No mês de Conscientização da Escoliose entenda um pouco mais sobre o assunto!

A escoliose é silenciosa e afeta inúmeras pessoas ao redor do mundo. Junho é o mês de conscientização mundial sobre a condição e deve ser um período de compartilhamento de informações de qualidade sobre o tema, mas que deve durar o ano inteiro.

Uma das principais formas incentivar um maior entendimento sobre a escoliose é esclarecer o que é essa condição, seus sinais e sintomas. Além de apresentar as opções de tratamento disponíveis.

Ao longo deste artigo, o médico ortopedista Dr. José Thiago P. Krupp esclarece as principais dúvidas sobre a condição. Vamos lá?

O que é escoliose e como ela afeta a coluna vertebral?

A escoliose é uma condição médica que tem como característica a curvatura lateral da coluna vertebral, fugindo da normalidade. Essa curvatura pode ser em formato de S ou C. Ela afeta, principalmente, a postura da pessoa e estabilidade da coluna.

A formação da escoliose também faz com que a distribuição de peso seja prejudicada, podendo levar a desequilíbrios musculares, fazendo uma pressão desnivelada nas articulações e discos vertebrais. A escoliose ainda pode ser uma limitante de mobilidade, ao reduzir o espaço do tórax e comprimir órgãos.

“Uma maneira de ver essas assimetrias é olhando o paciente de costas e pedindo para ele inclinar o tronco para frente sem dobrar o joelho. Isso favorece [a visualização] da rotação vertebral. Então quando a escoliose tem um valor angular considerável, ela vai ter um componente rotacional e você vai observar bem a rotação do tronco com essa manobra”, pontua o Dr. José Thiago P. Krupp.

A escoliose é classificada em níveis, estes sendo medidos em graus de curvatura e outros fatores como dor, comprometimento funcional, dentre outros. Dessa forma, é possível definir a condição em 3 níveis, sendo leve, moderada ou grave.

Existem diversos tipos de escoliose, como a congênita que é uma má formação ainda no útero; a idiopática, que não tem causa conhecida, sendo a mais comum; a neuromuscular pode ser causada por doenças neurológicas como paralisia cerebral.

A escoliose pós-traumática é causada após danos ao tecido conjuntivo e anomalias cromossômicas. Além dessas, a escoliose degenerativa do adulto, geralmente, tem como motivo principal o avanço na idade.

Quais são os sinais da escoliose?

Os sinais da escoliose podem variar e essa diferença dependerá do grau de curvatura na coluna. Veja os sintomas que merecem uma atenção mais aprofundada:

  • Falta de simetria: a ausência de igualdade entre as alturas dos ombros, com um parecendo maior do que o outro;
  • Desalinhamento dos quadris: a assimetria dos quadris também pode ser um sinal, sendo alarmante quando existe um lado mais elevado do que o outro;
  • Desvios visíveis: em alguns casos é possível notar o surgimento de uma curvatura, mesmo que leve, na região da coluna vertebral;
  • Saliência de costelas: em um dos lados do corpo se pode visualizar costelas mais protuberantes, saindo do nível usual para a pessoa;
  • Desequilíbrio: a escoliose pode descentralizar a cabela do corpo, ficando desalinhada com o todo;
  • Dor: a dor nas costas se manifesta, principalmente, em casos mais graves de curvatura na coluna.

O conjunto desses sintomas, ou mesmo apenas um deles, é um sinal que você precisa buscar ajuda especializada para investigar e entender se você tem escoliose.

De que forma ela é diagnosticada?

O primeiro passo quando se têm um suspeita de escoliose ou outra condição na coluna é buscar um médico ortopedista para realizar uma avaliação técnica sobre a sua realidade. O diagnóstico precoce é fundamental para explorar as melhores opções de tratamento.

“Quando faz um diagnóstico, principalmente na infância e na adolescência, tem que ter um acompanhamento médico regular para indicar o tratamento precoce quando necessário e monitorar a progressão para evitar que você tenha uma situação mais grave de tratar. Então acompanhamento médico é primordial”, explica o especialista.

O diagnóstico pode ser feito pelo médico com o auxílio de exames como radiografias e também pela observação corporal do paciente. Ainda é necessário analisar o histórico médico e informações familiares, com isso o especialista analisará as causas da sua condição, caso seja confirmada.

O médico pode buscar informações a respeito de traumas que possam originar o desvio na coluna vertebral. Um exame físico também é usual. Nele o médico avaliará o alinhamento dos ombros, a postura, etc.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O médico especialista pontua sobre as possibilidades de tratamentos indicados para escoliose: “[Existe a] fisioterapia com exercícios específicos para escoliose. Para pacientes ainda imaturos com mais de 25 graus e menos de 45 graus, o colete é indicado para o tratamento. [Já a] escoliose acima de 45 graus entre pacientes imaturos e acima de 50 graus em pacientes adultos até tem uma indicação formal para tratamento cirúrgico”.

Além das alternativas citadas pelo ortopedista, que envolvem a utilização do colete — órtese — e cirurgia, também existe outra alternativa, esta devendo ser utilizada em casos específicos: a utilização do gesso não removível. Ela é indicada apenas para crianças menores de 7 anos.

Essa é uma alternativa de tratamento conservador e age seguindo o mesmo princípio da utilização de coletes móveis. Ainda é indicado realizar o fortalecimento dos músculos, sendo possível a realização de pausas para alongamentos durante as atividades diárias.

Quais são os riscos associados a diferentes tipos de tratamento?

No caso dos tratamentos mais conservadores o risco é mínimo, caso seja executado com um profissional qualificado. Segundo o especialista, a maior dificuldade nesses modelos de tratamento é a aderência do paciente.

“Normalmente você indica o colete um paciente de 10, 11 ou 12 anos, ele está em uma fase de transição da infância para adolescência e às vezes eles têm uma dificuldade de aceitação na escola. Então às vezes a aderência ao tratamento é dificultada”, exemplifica o Dr. José Thiago P. Krupp.

Por conta disso, é necessário que a família converse e explique para o paciente sobre os motivos desse colete e como aquela medida pode auxiliar no futuro. Já para os pacientes que precisam ser encaminhados para uma cirurgia, o riscos podem ser:

  • Infecção: o perigo de infecção está presente em cada cirurgia;
  • Danos neurológicos: uma lesão nervosa pode ser uma das complicações;
  • Possíveis complicações a longo prazo: Embora incomuns, complicações a longo prazo, como fadiga da instrumentação ou falha do implante, podem ocorrer.

Vale destacar que essas são apenas possibilidades. Na maioria das casos, as cirurgias caminham bem e podem trazer melhorias significativas para o cotidiano e a rotina dos pacientes.

 

*Dr. José Thiago Portela Kruppa é Ortopedista e Cirurgião de Coluna pela Santa Casa de São Paulo. Especialista em deformidades da coluna vertebral. Médico do Grupo de Coluna da Escola Paulista de Medicina. Chefe do Grupo de deformidades da coluna do Hospital Geral de Guarulhos. Cirurgião de Coluna da Clínica SO.U

Sobre o autor

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