Endometriose

Endometriose: O que você precisa saber sobre essa doença

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

Com um diagnóstico que pode levar anos para ser fechado, a endometriose afeta cerca de 190 milhões de mulheres ao redor do mundo

A endometriose é doença crônica e, apesar de afetar milhões de mulheres no mundo, ainda não tem informações difundidas de forma massiva. O movimento de divulgação da doença é recente e está, cada vez mais, ajudando mulheres e profissionais da saúde a identificar esse mal.

Sendo uma condição dolorosa, a endometriose é desafiadora para pacientes que convivem com ela e para médicos que são desafiados a realizar o diagnóstico árduo de uma doença. Por isso, é relevante compreender como ela funciona.

Neste artigo, você acessa informações essenciais sobre os sinais da doença, como ela se manifesta, quais as suas consequências e como o diagnóstico é realizado. Para esclarecer as dúvidas, ouvimos o ginecologista e especialista em reprodução humana *Dr. Eduardo Miyadahira.

Está pronto para desvendar os principais pontos sobre endometriose?

O que é endometriose?

A endometriose é o crescimento anormal do endométrio em locais que não deveriam desenvolver como no abdome, ovários, trompas, bexiga, intestino, dentre outros. O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero.

Estes tecidos localizados em ambientes não naturais são conhecidos como implantes endometriais. Eles ainda podem ser responsáveis por gerar cistos nos ovários e possuem diversos tamanhos.

Ao estar localizado em áreas atípicas esse tecido que cresce fora da região interna do útero pode ser a origem de uma grande dor para aquela mulher.

Quais são as possíveis causas?

Existem diferentes teorias que podem explicar a origem da endometriose, uma delas é a menstruação retrógrada, como pontua o especialista: “A causa mais bem aceita que explica a endometriose é a da menstruação retrógrada no qual tecido endometrial reflui pelas trompas e cai na cavidade abdominal. Esse tecido refluído implanta e desenvolve em locais atípicos”, diz o Dr. Eduardo Miyadahira.

Dentro das possibilidades de explicação para esse crescimento anormal também podem ser citados a resposta anormal da imunidade, defeitos congênitos e genético, por exemplo. Até o momento não foi possível identificar com extrema certeza qual ou quais são as causas para a existência da endometriose.

Existem sinais característicos que as mulheres precisam ficar atentas?

Assim como outras doenças, a endometriose possui os seus sinais característicos. As mulheres e os médicos devem estar sempre atentos e alinhados para conseguir identificar os sinais, por menor que sejam.

A dor pélvica, por exemplo, é a maior queixa entre as mulheres que possuem a doença. Inclusive, pode ser descrita como aguda, lancinante ou mesmo latejante. Elas estão localizadas na pelve da mulher mas também podem estar na parte inferior das costas ou mesmo no abdômen.

O sexo pode ser doloroso para certas mulheres com endometriose. Durante o ato sexual, é comum que ela experiencie esse incômodo, principalmente no decorrer da penetração.

Ela ainda pode afetar a fertilidade da mulher, dificultando o processo de concepção, podendo ser necessário tratamentos específicos para engravidar. Sintomas no aparelho intestinal ou urinário também podem surgir.

Como você já aprendeu, a endometriose é uma doença de difícil diagnóstico mas vale ressaltar que os sintomas são individuais. Isso quer dizer que a endometriose pode se manifestar de formas distintas em organismos diferentes.

Endometriose O que você precisa saber sobre essa doença

Existe uma dificuldade para o diagnóstico? Por que isso acontece?

Para o médico ginecologista, exames tradicionais como de sangue e ultrassom, não permitem identificar a doença. “É preciso realizar exames específicos e que sejam analisados por pessoas bem treinadas para o diagnóstico”, afirma o médico.

Como disse o especialista, não basta ter acesso aos exames específicos, é fundamental ter um profissional com um olhar treinado para identificar o crescimento anormal do endométrio. Em adição a isso, como conferiu anteriormente, ainda existe a dificuldade na identificação dos sintomas.

Os sintomas, como não são conectados apenas à endometriose, podem ser confundidos com outras doenças. Ainda é possível que o paciente seja direcionado a um profissional da saúde que não tenha conhecimento na área e que com isso se inicie uma série de indicações errôneas.

Por conta disso, buscar o médico correto é necessário. A recomendação é por um ginecologista, para que o diagnóstico não seja postergado. Tudo começa pelo histórico do paciente.

“O diagnóstico é feito pela suspeição na história clínica com auxílio de exames de imagem, a saber, a ressonância magnética da pelve e o ultrassom transvaginal com preparo intestinal”, pontua o médico ginecologista.

Quais são os tratamentos para endometriose?

Dentro da medicina existem opções que se adequam à realidade de cada mulher. Eles podem ser medicamentos, terapia complementar ao tratamento — como acupuntura e massagem — e mudanças na alimentação e no estilo de vida. Mas para cada paciente existe uma indicação.

“Os tratamentos podem ser com medicações que inibem os ciclos menstruais para aquelas mulheres que não querem engravidar. E para as mulheres que querem engravidar e estão enfrentando dificuldade, podemos planejar um tratamento cirúrgico ou um tratamento de reprodução assistida como a fertilização in vitro”, contextualiza o Dr. Eduardo Miyadahira.

Apesar de ser dolorosa, e em alguns casos parcialmente incapacitante, a endometriose não é uma doença maligna. “Existem situações não comuns mas que podem ter consequências sérias. Por exemplo, a endometriose pode acometer o ureter (estrutura que comunica o rim à bexiga) e causar sua obstrução. Nesse caso, se não tratada, pode até causar a perda da função do rim”, explica o especialista.

Como é possível conviver com endometriose?

O primeiro passo, que talvez seja o mais difícil, é o diagnóstico. Uma vez solucionado é possível buscar tratamentos direcionados para amenizar as dores e possíveis problemáticas causadas por essa doença.

“Um exemplo é a alimentação em especial cuja orientação é evitar os alimentos inflamatórios. Isso, muitas vezes, ajuda no controle dos sintomas da endometriose. A multidisciplinaridade também é de suma importância, contando com profissionais das áreas da ginecologia, nutrição, fisioterapia, osteopatia, entre outros”, pontua o Dr. Eduardo Miyadahira.

Entre as indicações também estão a prática de atividades físicas, gerenciamento do estresse e ter um acompanhamento médico sistemático. Para além disso, busque informações em fontes confiáveis, converse com o seu médico ginecologista, anote sintomas e não seja engolida pela sua dor.

Ao longo desta leitura, você aprendeu mais sobre endometriose, diagnóstico, sintomas e possíveis tratamentos para esse mal. Compartilhe a informação e espalhe conhecimento!

 

 *Dr. Eduardo Miyadahira, Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e Certificado em Reprodução Assistida pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

Sobre o autor

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