Estética

Cirurgia ortognática: O que é e quando é indicada?

Escrito por:Redação SO.U + Bem Estar |

O que é uma cirurgia ortognática e suas principais indicações?

Engana-se quem pensa que os dentistas têm como único objetivo limpar e corrigir dentes desalinhados. Na verdade, estes profissionais da saúde também realizam procedimentos que ajudam tanto o bem-estar quanto a estética do paciente, como com a cirurgia ortognática.

Esse é um procedimento que traz muitos benefícios para além dos dentes de uma pessoa, fazendo com que cause efeitos positivos em áreas do rosto como mandíbula e até mesmo nas vias aéreas.

Neste artigo, você poderá entender o que é a cirurgia ortognática, como ela é feita e quais benefícios ela traz. E para falar sobre esse assunto, o cirurgião Bucomaxilofacial, Doutor em Ciências pela USP e Cirurgião do Núcleo de Bucomaxilofacial do Hospital Sírio Libanês, Dr. Romualdo Monteiro de Barros*, irá compartilhar conosco um pouco de seu conhecimento.

Barros explica que a cirurgia ortognática é um procedimento que tem como objetivo corrigir deformidades nos ossos da face, especificamente a mandíbula e a maxila. O objetivo é fazer com que a pessoa volte a ter uma harmonia facial.

“A cirurgia ortognática é um procedimento cirúrgico que visa a correção das alterações dos ossos maxilares (maxila e mandíbula)”, disse o doutor.

A cirurgia ortognática envolve a reorganização dos ossos da mandíbula, maxila e do terço médio da face para corrigir desalinhamentos, deformidades ou outros problemas ósseos, de modo a melhorar a função mastigatória, respiratória e estética do paciente.

O procedimento é geralmente realizado em conjunto com o tratamento ortodôntico para alinhar os dentes antes e depois da cirurgia.

Além disso, o profissional comenta que o procedimento é geralmente indicado para pessoas com mau posicionamento e alterações de crescimento destes dois ossos, que podem ocorrer em três  sentidos. Sendo deformações verticais, transversais ou sagitais, chamadas de “deformidades dentofaciais”.

Quais são os tipos de cirurgia ortognática?

Pelo fato da cirurgia ortognática ser focada em dois ossos faciais, maxila e mandíbula, dependendo da situação de cada paciente, o procedimento pode ser parcial, focando em apenas uma região do rosto.

Contudo, o Dr. Romualdo Barros enfatiza que, normalmente, as deformidades na face acontecem sempre nos dois ossos. Isso faz com que a maioria das cirurgias ortognáticas sejam gerais e ocorram tanto no maxilar quanto na mandíbula, juntamente com um procedimento na região do queixo, chamado de mentoplastia.

“Em vista que as deformidades dentofaciais geralmente acometem maxila e mandíbula, geralmente os procedimentos cirúrgicos são completos (maxila, mandíbula e mentoplastia)”, comenta Barros.

Como é feita a cirurgia ortognática?

A cirurgia ortognática é um procedimento que deve ser realizado em um ambiente hospitalar, com o paciente sendo submetido à anestesia geral. Normalmente, a operação tem a média de duração de duas a três horas, além de um a dois dias internado no hospital em observação.

Barros explica que a cirurgia ortognática não deixa cicatrizes no rosto do paciente, uma vez que é feita por meio da boca. O procedimento consiste na separação da maxila e mandíbula, para depois eles serem posicionados no local planejado e serem fixados com materiais apropriados, como miniplacas e miniparafusos.

“São procedimentos geralmente feitos por acessos intraorais, ou seja, não deixando cicatrizes na face. Neste procedimento os ossos são separados através de osteotomias e reposicionados seguindo o planejamento executado” disse o profissional.

Cirurgia ortognática O que é e quando é indicada

Quais são os riscos que envolvem essa intervenção?

A cirurgia ortognática é vista como uma operação muito segura, mas o especialista alerta que “como para qualquer intervenção, é importante que o paciente esteja em boas condições clínicas para ser submetido com um bom planejamento”.

“Existe em uma porcentagem pequena de pacientes algumas complicações como infecção, dor local, edema aumentado. Geralmente são complicações menores e reversíveis, que não interferem no desfecho final do tratamento”, afirma o dentista.

Além disso, um detalhe a ser observado após a cirurgia ortognática são as parestesias, uma perda temporária dos nervos sensitivos, fazendo com que o paciente tenha uma sensação de dormência ou anestesia. Normalmente, localizadas nos lábios superiores e inferiores.

No entanto, “isto não se trata de uma complicação e sim um fator inerente ao ato cirúrgico, geralmente com boas taxas de resolução espontânea”, explica.

Quais os benefícios?

Por fazer uma correção no local do queixo, através do procedimento na maxila e na mandíbula, possivelmente o paciente terá uma relação melhor com sua aparência, principalmente em relação ao seu rosto e ao seu sorriso. Ou seja, a cirurgia ortognática trará benefícios à autoestima.

Consequentemente, com essa melhora, a pessoa após a recuperação do procedimento ainda pode trazer consequências positivas como diminuição de estresse, além de ansiedade e depressão.

Somando-se aos benefícios estéticos e sentimentais, o Dr. Romualdo Barros diz que a cirurgia ortognática ainda faz com que o paciente tenha um melhor encaixe dentário, uma maior estabilidade para os dentes e maior equilíbrio das estruturas ósseas.

Isso faz com que tenha uma melhora no funcionamento das ATMs, movimento responsável por abrir e fechar a boca.  O doutor ainda diz que a operação gera “um aumento da via aérea superior, melhorando a qualidade respiratória e diminuindo índices de ronco e apneia do sono”.

Também pode haver uma melhora a saúde bucal. Corrigindo problemas de mordida e alinhamento dentário, a cirurgia ortognática pode ajudar a prevenir doenças dentárias, como cáries e gengivite.

Qual é a idade mais indicada para realizar a intervenção?

Normalmente, é indicado que a cirurgia ortognática seja realizada em pessoas adultas, ou seja, a partir dos 18 anos. Apesar de poder ser feito em adolescentes, a depender de alguns fatores, porém, geralmente, o recomendável ao término do crescimento é o momento mais adequado para a operação ser realizada.

Geralmente, crianças utilizam de aparelhos dentários, que estimulam o crescimento ósseo, principalmente da maxila e da mandíbula. Contudo, se a deformação for muito séria, fazendo com que a pessoa tenha muitos problemas sociais e fisiológicos, a cirurgia ortognática é indicada, apesar de que no futuro ela a criança precise voltar a fazer o procedimento.

Quando não tratada, a condição pode oferecer prejuízos à saúde?

O Dr. Romualdo Barros alerta que caso alguém deixe de tratar essa condição, é muito possível que deixe de ter uma melhora na qualidade de vida. Podendo ter um fechamento dos dentes muito instável, ocasionando em perda dos mesmos, dificuldade de mastigar e outros problemas dentários.

“O paciente deixa de ter uma melhora na sua qualidade de vida, podendo ter com uma oclusão dentária instável, perda precoce destes dentes, dificuldade mastigatória, dores locais, aumento do índice de disfunção da ATM”, contextualiza ele.

“Ainda pode gerar piora na qualidade de respiração e chance aumentada de desenvolver problemas do sono, sem contar no aspecto psicológico que por vezes acompanha os indivíduos com alterações morfológicas na face”, disse Barros.

Como é a recuperação e quais indicações um paciente no pós-operatório deve seguir?

Assim como todo procedimento cirúrgico, a recuperação para cirurgia ortognática possui recomendações e restrições passadas pelo cirurgião.

Dr. Romualdo comenta que é muito importante que o paciente siga as recomendações passadas pelo cirurgião. De modo geral, a primeira semana é a parte mais importante da recuperação, onde deve ficar em repouso, além de ter uma restrição alimentar e evitar esforços físicos.

“Geralmente entre 10 a 14 dias os indivíduos estão aptos ao retorno de suas atividades normais, após 3 semanas uma alimentação mais consistente com mastigação dos dentes do fundo já pode ser introduzida e exercícios físicos também podem ser retomados”, finaliza.

 

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*Dr. Romualdo Monteiro de Barros é cirurgião Bucomaxilofacial, Doutor em Ciências pela USP e Cirurgião do Núcleo de Bucomaxilofacial do Hospital Sírio Libanês.

 

 

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